Como você escolhe o seu vinho?
Certas vezes fico curioso sobre a forma como as pessoas selecionam o vinho que vão beber. Sim, digo isso porque o vinho tem muitas nuances, personalidades, origens, qualidades, preços, enfim um mundo de opções.
Suponho que a grande maioria faça do vinho uma bebida gregária, para ser compartilhada. Poucos desafortunados como eu consomem seus vinhos na solidão, sem ter, na maioria das vezes, alguém para discutir as características do mesmo.
Para aqueles que bebem de forma gregária, vou mais adiante na imaginação e suponho que os melhores vinhos são reservados para as melhores ocasiões.
Já no caso deste enófilo solitário o vinho funciona como um componente de hedonismo. Explico: para alguns como eu o vinho é escolhido como um componente de compensação psicológica. Se você está bem, um vinho razoável funciona bem. Um dia muito difícil exige um vinho melhor. Não estou aqui advogando pelo consumo diário de álcool, mas sim sobre a verdadeira força motivadora na escolha do vinho. Seguindo a lógica, para alguns o vinho serve como um ícone social, para outros um componente do “eu mereço”. Outros tratam o vinho como uma efeméride, um acontecimento para ser registrado.
Confesso sem culpa que meu prazer maior é beber os melhores vinhos em dias comuns. Aliás o meu maior prazer é tratar dias comuns como dias especiais e vice-versa. Penso que assim tornamos a vida mais interessante, com muitos dias especiais e menos previsívelis. Portanto paciente leitor, dia dos namorados pode ser qualquer dia, a declaração de amor pode acontecer a qualquer hora, um banquete pode ser feito em uma simples terça –feira e claro, o vinho da sua vida pode ser bebido a qualquer dia. Essa lógica de ser surpreendente vale para tudo mesmo, para o trabalho, para o amor, para a amizade, para…sei lá o que você quiser. Mas este é o meu estilo de escolher os vinhos. E o seu?




















Eu bebo sozinho e não tenho essa disposição gregária com relação aos vinhos. A maioria dos meus amigos prefere as cervejas e portanto com eles, eu degusto de boas cervejas e não de bons vinhos, se bem que as vezes conseguimos fazer algo em um jantar especial.
Escolho os meus vinhos com base em indicações e procuro sempre manter a adega com algumas garrafas comuns para o dia a dia, vinhos que já conheço e que já sei exatamente o que vou encontrar após abrir a garrafa.
Aos sábados, quando não saio, sempre abro uma garrafa e degusto na companhia da noite e de uma boa música. Não, eu não sou um solitário, apenas em alguns momentos, prefiro estar só na minha companhia, do que mal acompanhado no meio de muitos.
Boa filosofia
O vinho para mim está totalmente associado às pessoas…pra vc ter uma idéia, uma boa parte das garrafas que tenho em casa, está separada mentalmente para abrir com uma pessoa em especial.
De alguma forma que não entendo, “vejo” a pessoa degustando comigo aquela garrafa, numa ocasião especial. Acho que é uma forma diferente de consideração por uma amigo. Uma forma de homanegem a ele.
abs!
Ale
@Alexandre, essa é a base deste blog. O vinho dos amigos.
Abraços
Paulo
Oi Dulce. Acho que você entendeu mal o texto. Bebo sozinho, mas nunca estou sozinho. Tenho sempre ao meu lado minha mulher, blogeira como eu, trabalhamos juntos quase todas as noites em nossos blogs. Pena que ela não bebe, ou bebe só em festas. Já eu…
Oi,
li ávidamente todo o seu depoimento, ou comentário.Primeiro, (meio sem jeito) não consigo compreender uma pssoa tão interesante, sensível e de bom gosto estar tão só. Entendo que você encontre no vinho um componente do hedonismo , mas….existem momentos que redimem o Existir pois idealizar o que nos falta é uma propensão quase inerente à natureza humana.
Estamos movidos por um impulso secreto que nos faz procurar alguém que nos leve a idealizar esse alguém e encontrar nele tanta beleza quanto for possível. Rsrs e aí…baco festeja, Vênus se despe. A carícia é bênçaõ, o beijo é reza e o vinho se torna a óstia sagrada numa tempestade dionisíaca. Um abraço forte com gosto de Château léoville las cases
Caro Paulo,
Por morar sozinho e sair pouco, compartilho do hábito de degustar alguns vinhos desacompanhado. (que meu amicão Peter, um Yorkshire gente fina, não me oucça, ficaria chatiadíssimo com o comentário) Também prefiro beber um vinho, da forma gregária,como comentou. É mais alegre e podemos discutir percepções coincidentes ou totalmente diferentes. Mas, confesso que muitas vezes, sozinho percebo melhor algumas nuances que quando distraído passam desapercebidas ou tenho maior dificuldade em perceber. Enfim, sozinho ou “bem” acompanhado um vinho sempre vai muito bem. Escolho muito com base na indicação de amigos, de revistas e confesso, principalmente, pela indicação dos Atendentes/Sommeliers de onde costumo comprá-los. O preço é fundamental. Uma dica para quem quer um vinho bacana sem gastar muito, pedir uma orientação a esses atendentes e dizer-lhes que busca uma “Boa Compra” para o dia. Eles custumam dar boas dicas por preços bem acessíveis.Costumo comprar no supermercado Marché da Ramon Urtiza no Panamby ou no Varanda, ponte da Cidade Jardim. Nos dois casos existem atendentes muitos competentes.
Para mim, antes de escolher o vinho, eu escolho a ocasião. Muitos lugares e pessoas tornam um simples vinho especial, tornam a experiência de tomar vinho como algo incrível. O ambiente e companhia conta muito.
Depois que tudo isso conspira para a abertura da garrafa, sem dúvida a escolha do rótulo é totalmente emocional. Ela acompanha o seu clima e acho que todos nós no final das contas utilizamos um pouquinho de cada um dos estilos que você descreveu.