Especial Chile: Casablanca, Emiliana.

Este foi o último dia de nosso passeio pelas regiões produtoras do Chile, fomos até o Vale de Casablanca, 80km a oeste de Santiago.

O dia começou triste com as notícias vindas do Japão, que sofreu terremoto acima de 8 pontos e um tsunami terrível. Eu não estou a par dos detalhes ainda mas as imagens da TV eram assustadoras. Meus bons pensamentos aos japoneses. Aqui no Chile, por precaução houve evacuação de algumas áreas costeiras, pois existe uma possibilidade remota da onda atingir a costa Chilena. A maior preocupação é com a ilha de Páscoa. Nos impressionou o grande movimento de carros vindos do litoral em sentido a Santiago. O ocorrido no Japão deixou o povo chileno consternado, afinal relembrou a todos o terremoto e tsunami de 2009.

Retomando o assunto de Casablanca… trata-se de uma viagem muito bonita, descendo uma cadeia de montanhas, através de estrada em linha reta e túneis tão longos quanto os que temos na Imigrantes em São Paulo, entretanto a descida é mais tranqüila, pois o desnível entre o mar e Santiago não parece ser tão íngreme como em São Paulo. A região de Casablanca tem um visual magnífico, com muitas montanhas de todos os portes e as vinícolas ficam todas muito perto uma da outra, coisa de 10 a 15 minutos de carro.

A primeira que visita que fizemos foi a vinícola Emiliana, produtora de vinhos como o Coyan e G. A vinícola produz seus vinhos pelo método Biodinâmico, sem qualquer produto químico. Pilar, a guia da vinícola nos fez uma apresentação no local sobre o sistema de produção, sobretudo de cultivo das uvas e trata-se de um sistema muito sofisticado, que usa os elementos da natureza como ferramentas combinadas para a produção dos vinhos. Não conseguirei explicar tudo aqui, mas alguns exemplos são o uso de animais no auxilio do cultivo. Eles usam galinhas que são soltas nas ruas das videiras e estas comem os insetos rasteiros que são pragas para as plantas. Inclusive as galinhas moram em um motor-home, que vocês podem ver na foto abaixo. Eles criam Alpacas, animais super simpáticos e parentes das Lhamas. As Alpacas comem as ervas daninhas e fornecem adubos naturais para as videiras. E assim vai, com dezenas de detalhes e procedimentos biodinâmicos.

Trailler das Galinhas.
Simpáticas e curiosas Alpacas.

 

O equilíbrio da natureza e a sustentabilidade é o ponto chave da Emiliana e você pode notar isso facilmente, pois o lugar é harmonioso, lindo, bem cuidado e nos traz um enorme bem estar. Não me envergonho de dizer que chorei ao contemplar a natureza do local.

Sobre os vinhos provados, o primeiro foi um Sauvignon Blanc, super perfumado, seria o mesmo que você cheirar uma maça verde cortada e uma lima, juntos. Na boca é bastante ácido, alegre e pouco alcoólico sendo muito fácil de beber.

O segundo vinho provado foi um Chardonnay. Gostei tanto que comprei uma garrafa e o custo foi apenas 10 Dólares. Cerca de 70% desse Chardonnay passa por madeira, apenas 4 meses se me lembro bem. Tem um aroma de avelã e manteiga e na boca é uma delícia, floral, com toques de manteiga, mas não é enjoativo, daria para beber muito.

O terceiro vinho foi o Coyan, um tinto que usa 7 uvas: Syrah, Carmenére, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec, Mourvèdre e Petit Verdot. A Carolina, Guia do Enotour, que também é somelier, fez a seguinte análise do Coyan. “O vinho ainda está bastante fechado, muito jovem. Sente-se a Carmenére no início, existe uma clara separação entre a fruta e o tostado, os dois estão muito marcados. Este vinho ainda precisa de um equilíbrio que talvez venha com mais tempo, ainda assim, novo, é um vinho fantástico, um dos meus prediletos”.

Amigo leitor se você estiver no Chile e for visitar as vinícolas, não deixe de conhecer a Emiliana.

O ponto B no mapa é a localização da Emiliana.

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