Conheça um pouco da Borgonha

A Borgonha é uma das regiões mais encantadoras da Europa. A região combina uma beleza única com vinicultura, gastronomia e arquitetura medieval. Antes mesmo da França ser cristã, a Borgonha era um rico Ducado amplamente conhecido por sua vocação vinícola. A Borgonha não é apenas uma região, mas um conjunto de regiões.

O mapa abaixo, retirado do livro: “The Great Domaines of Burgundy”, você pode entender um pouco da geografia da Borgonha. Mais ao norte temos Cotes de Nuits, uma terra de vinos tintos, longevos e com cor rubi profunda. Quase todos os Grands Cru da Borgonha são feitos aqui. Esta é a terra Romaneé-Conti, na cidade de Vosne Romanné. Pinot Noir é a principal uva desta região.

Mais ao sul no mapa principal, encontramos Cote Beaune, onde os vinhedos circundam a cidade de Beaune e seguem em direção ao sul. Aqui é que estão os brancos Grand Cru da Borgonha. A variedade de brancos é incrível, o que também cria uma nuance de qualidade. Igualmente variados são os tintos da região. Os grandes produtores da região são da Chateau La Maltroye, Domaine Du Chatêau de Chorey, Domaine Bonneau Du Martray, Domaine Albert Morot, Domaine Étienne Sauzet, entre dezenas de outros fantásticos produtores.

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Caminhando mais ao sul da Borgonha encontramos Cote Chalonaise, onde a vinicultura divide espaço com outras culturas agrícolas. Aqui se produz vinhos tintos e brancos cuja principal característica é a rusticidade. Esta parte da Borgonha garante vinhos de excelente custo benefício. Na região verde do mapa, ao sul de Chalonaise, encontramos Mâconnais, um distrito rico em brancos frutados com Chardonnay. Os tintos desta região não são de grande qualidade. Finalmente no extremo sul do mapa, em direção a cidade de Lyon, passamos pela grande região de Beaujolais. Uma região lindíssima com grande presença da uva Gamay. Uma região bem distinta da Borgonha que construiu a fama de vinhos populares, fáceis, sem grandes mistérios. Vinhos de grande frescor, cítricos agradáveis. O máximo expoente da região é o Beaujolais Nouveau. Sob a denominação Beaujolais se produz mais de 80 milhões de garrafas ao ano.

Enfim, a complexidade da Borgonha jamais poderia ser expressa neste simples artigo. Aqui você tem apenas as informações gerais.

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Fontes: Atlas Mundial do Vinho, Hugh Johson e Jancis Robinson / Vinhos do Mundo – Guia Ilustrado Zahar / Enciclopédia Larousse do Vinho / The Great Domaines of Burgundy

 

Cotê de Beaune: A maior sub região da Borgonha.

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A Cotê de Beaune se estende por cerca de 25km e inclui uns 20 vilarejos que possuem a sua própria AOC. Cotê de Beaune começa ao norte da cidade de Beaune, onde as uvas predominates são as Pinot Noirs. Os vinhos brancos surgem ao sul de Beaune, em Mersault e Puligny-Montrachet.  Aqui alguns destes vilarejos que merecem ser mencionados: Ladoix-Serrigny; Pernand-Vergelesses e  Aloxe-Corton.

A cidade medieval de Beaune é o centro do comércio dos vinhos da Borgonha. A cidade fortificada atrai turistas o ano todos mas fica lotada no terceiro final de semana de novembro quando ocorre o festival do vinho. As três Gloriosas, como é conhecido o festival, culmina no leilão de Hospices de Beaune – esta é uma instituição de caridade fundada em 1443, quando Nicolas Rolin, chanceler do ducado da Borgonha, usou sua fortuna para fundar um hospital e um asilo para indigentes. Desde então, benfeitores continuam a doar teras com vinhedos e Hospices produz vinhos espetaculares que atingem preços muito altos.

Conheça quais são os Grands crus da Cotê de Beuane:

Batard-Montrachet / Bienvenues-Batard Montrachet / Charlemagne / Chevalier-Montrachet / Corton / Corton-Charlemagne / Criots-Batard-Montrachet / Montrachet

Informações da Larousse do Vinho

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Cotê do Nuits: A casa dos Pinot Noirs

Em nenhum outro lugar do mundo as Pinot Noirs apresentam tamanha complexidade de aromas e sabor. A vinicultura é parte da cultura local, com centenas de anos de tradição. As vinhas vão desde o sul de Dijon até poucos kms ao sul de Nuits-St-Georges. Um pedaço pequeno de terra com muita atividade vinícola e inúmeras AOCs, Appellation d’origine contrôlée ou Denominação de Origem Controlada. É nessa região que você pode percorrer em uma viagem de automóvel de 4 horas que fica a famosa Domaine de La Romanée-Conti, mas não vou falar dos seus vinhos, pois custam milhares de Euros.

Os Grands crus da Cotê de Nuits

Bonnes Mares / Chambertin / Chambertin-Clos de Beze / Chapelle Chambertin / Clos des Lambrays / Clos de la Roche / Clos St.-Denis / Clos de Tart / Clos de Vougeot / Échezeaux / La Grande Rue / Grands Échezeaux / Griotte-Chambertin / Latricieres-Chambertin / Mazis-Chambertin / Musigny / Richebourg / La Romanée / La Romanée-Conti / Romanée-Saint-Vivant / Ruchottes-Chambertin / La Tâche

Vamos apresentar um Borgonha Cotê do Nuits muito bom, mas que você pode beber aqui no Brasil.

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Uma joia da Borgonha, um perfume intenso de amora e morangos maduros, especiarias, um pouco doce. Depois de um tempo na taça vem o sabor de baunilha característico do envelecimento em carvalho por 13 meses. Os taninos são um pouco picantes, mas o final é sedoso. Um vinho muito sedutor. Aqui no Brasil é vendido pela Enoteca Fasano e o preço não é muito amigo: R$ 589,00. Informações do site do produtor.

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Chablis, a casa gelada do Chardonnay

Chablis fica no extremo norte da Boregonha e possui uma tradição vinícola de pelo menos 1400 anos. No final do século XIX havia quase 40 mil hectares de vinhas em Chablis,  mas a filoxera e a concorrência de outras regiões provocaram um drástico declínio. A região é um fenômeno de ressurgimento pois entre os anos 50 e os dias atuais seus vinhedos passaram de 500 hectares para 4.300 hectares. Muito disso se deve aos meios de comunicação que divulgaram a região como o ícone dos vinhos brancos pretensiosos franceses. É uma das regiões vinícolas do mundo com a maior probabilidade de geadas. Os produtores utilizam um processo de aquecimento das vinhas colocando aquecedores a óleo entre as videiras. Outro método de proteção das uvas às geadas parece uma loucura, mas funciona, um pouco antes da geada os produtores pulverizam água nos vinhedos, cria-se uma capa de gelo nas uvas que as protege.
O nome Chablis já foi muito mal usado sendo sinônimo de vinho branco na Califórnia.  Os vinhos de Chablis são feitos somente de Chardonnay e o terroir entrega vinhos muito secos, mas não austeros, metálicos e muito leves. Chablis se divide em uma hierarquia de vinhedos, desde o AOC Petit Chablis, AOC Chablis, AOC Premier Cru Chablis e AOC Gran Cru Chablis.
A WineWeb construiu um mapa onde estão plotados 119 produtores na região. Clique aqui e veja o mapa.

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Cotê Chalonnaise: Os Borgonhas com bom custo benefício.

 

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Também conhecida como Mercurey (nome do principal vilarejo da região), a área do Cotê Chalonnaise tem alguma complexidade na sua organização, pois os vinhos tem direito a usar a denominação genérica Borgonha e a AOC Bourgogne Cotê Chalonnaise. Além disso cinco vilarejos podem usar o próprio nome. São eles de norte a sul: Bouzeron, Rully, Mercurey, Givry e Montagny. Aqui são elaborados vinhos brancos e tintos, com maior peso para os brancos, que conseguem um preço melhor que os brancos do norte da Borgonha. Os tintos são bastante desiguais em qualidade.

A indicação do NOSSO VINHO é um vinho branco bem simples da região de Mercurey:

Mercurey Croix Jacquelet blanc 2004 Faiveleyum vinho equilibrado, macio e com sabores de frutas maduras. Boa relação qualidade preço, deve custar algo em torno de R$ 80 nesta data.

 

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Mâconnais: A simplicidade da vinicultura.

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Essa é a primeira região da Borgonha que recebe o ar quente que vem do Mediterrâneo. Uma região vasta que produz vinhos tintos e brancos sob a AOC Mâcon. Muitos vilarejos são autorizados a usar o próprio nome, e alguns como Pouilly atingiram grande reputação. Os vinhos tintos podem ser um Mâcon Rouge ou Mâcon Supérieur se tiverem uma maior teor alcoólico, normalmente são vinhos com Gamay, embora a Pinot Noir também esteja autorizada. Os brancos são feitos com Chardonnay. O vinho branco da região é mais leve que o do norte da Borgonha. A vinificação é dominada pelas cooperativas e realizada de forma muito simples. Vale citar o Pouilly-Fuissé, um vinho branco procedente de vários vilarejos do sul de Mâconnais, elaborado com vinhas mais antigas.

A recomendação do NOSSO VINHO é o Mâcon Villages 2007 – Joseph Drouhin. Vinho simples e delicado, com boa presença de fruta e mineral. Preço amigo de R$ 69. Pode ser encontrado na Mistral.

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Beaujolais, popular e diferenciada

O Beaujolais é muito conhecido em todo o mundo por conta do Beaujolais Nouveau, lançado no mercado no início de novembro, poucas semanas depois da sua vinificação. Começou como um vinho local e ganhou todo o mundo a partir de Paris. Atualmente a região vive uma crise de identidade, pois os produtores gostariam que esse vinho fácil de beber ganhasse maios prestígio.

A região recebe o nome da cidade medieval de Beaujolais, encravada entre colinas. A cidade declarou independência de Paris na Idade média e sua fortaleza foi derrubada pelo Cardeal Richeliu em 1611. A região vinícola ocupa uma grande região desde o sul de Mâcon até os arredores da cidade de Lyon. A uva empregada é a tinta Gamay.

Beaujolais Nouveau já fez sucesso aqui no Brasil, mas atualmente está totalmente decadente e esquecido, tanto que não se encontra mais o vinho com facilidade por aqui.

 

 

 

 

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