O Bordô que não sai de moda. Parte 4. O roteiro perfeito.

Por Pedro Assumpção: “Agora, se eu fosse vocês, eu faria o seguinte: Ficaria no Hostellerie em St Emilion, sem dúvida. A cidade é linda, tem vários bistros gostosos e a regiao é maravilhosa. Em volta da cidade os vinhedos se sucedem e apesar de muitos não serem tão importantes, vocês vão reconhecer vários nomes. As construções não são tão imponentes como em Paulliac, mas tudo é deslumbrante e muito calmo. Porém, só para constar, St Emilion produz 2 dos maiores vinhos do mundo: Cheval Blanc e Ausonne. Pomerol que também é um vilarejo meio sem graça colado a St Emilion, é a terra do Petrus, La Conseillante, Le Pin e outros nomes que fazem qualquer enófilo se perfilar só de escutar. Neste ponto, vale um comentário: na 1ª semana de outubro é a colheita da uva merlot, predominante em St Emilon e Pomerol, e já deverá ter sido colhida a cabernet sauvignon, predominante na região de Paulliac. Portanto vocês devem ver atividades distintas nessas áreas. Inclusive em Sauternes, se por acaso forem, regiao abaixo de Bordeaux, que nem citei, mas que estará colhento suas uvas brancas aprodrecidas, de onde vem outro ícone – o Chateau D’Yquem. E definitivamente passaria um dia e uma noite na região de Paulliac. Sairia de carro de St Emilion de manhã, atravessava a cidade de Bordeaux e seguiria para Paulliac pela D2. E iria fazer uma visita a um chateau de verdade. Um dos que aceitam é o Mouton Rothschild – um dos 5 grandes “crus classés” que faz uma visita guiada, que apesar de meio turistica (tem filminho no começo e lojinha no final!) é maravilhosa e dá uma idéia do que é um vinhedo de verdade. Precisa reservar (veja no link anexo o tel, se vc não conseguir eu ajudo) e no fim tem degustação, com direito a cuspir na pia e tudo o mais….imperdível. Depois disso, eu iria a St Julien almoçar. Um dos vinhedos de lá é o Gloria, que não sei porque vc vai gostar. Lá tem o Le Saint Julien Restaurant (tel 05 56 59 63 87) que faz um cordeiro – o famoso agneau de Paulliac, que muitos falam que é o melhor do mundo. O lugar é simples, e o prato é absolutamente divino. Não muchibem e peçam um bom vinho de St Julien ou Paulliac para acompanhar. Vai custar uns 120 euros a garrafa, mas vocês nunca mais vão esquecer, prometo. Depois, à tarde, sigam pela D2 até St Estephe, devagar, vendo os castelos se seguirem uns aos outros como se fosse um cardápio de restaurante: Leoville Las Cases, Poyferré, Pichon Lalande, a torre do Latour, Lafite Rothschild, Ducru Beaucaillou, etc, chegando até o Cos de Estournel en St Estephe e pronto…você passou pelo mistico terroir do left bank. Não se inibam em desviar da estrada e entrar em algumas propriedades até a porta dos castelos…vale a pena e eles não se importam ( a não ser se estiverem trabalhando na área). E ver os tais pedregulhos na terra (os “graves”) responsáveis pelo gosto mineral tão característico dos bordeaux. Se quiser visitar outro castelo bem bonito, vá ao Chateau Beychevelle, conhecido como o Versailles de Bordeaux…lá eles tem um jardim maravilhoso para passear, e não precisa reservar. No fim da tarde, siga para o grand finale: um jantar e uma noite no Cordeillan-Bages, o tal 2 estrelas que falei. Hospedem-se lá, e antes de começar a orgia, peçam para os levarem a Bages, uma cidadezinha abandonada atrás do hotel, que o Jean Michel Cazes comprou e está reformando inteira. Tem um café simpático, e umas lojas de artistas plasticos locais interessantes. Quando estiver escurecendo é hora de voltar ao hotel e viajar no menu degustação do tal Thierry…E bons sonhos!”


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