O Piemonte fica no noroeste da Itália e produz vinhos fantásticos, fortes, ricos e inigualáveis. Piemonte significa “ao pé da montanha”, neste caso os Alpes que fazem divisa com a França e Suíça.  As vinhas foram introduzidas na região pelos romanos, mas somente depois da segunda Guerra Mundial a produção de vinho na região foi melhor estruturada. Ainda assim nas primeiras décadas a importância do Piemonte era insignificante, até a década de 80 do século XX.  Nesta época o Piemonte já competia com a Toscana, mas com uma uva característica da região a Nebbiolo, responsável pela produção da grande maioria dos vinhos da região, incluindo os Barbarescos e Barolos.  Barbera e Dolcetto são as outras duas uvas da região. Estas últimas produzem vinhos mais calmos, equilibrados e que não tem vocação para envelhecer tantos anos como os Barolos e Barbarescos. Hoje o Piemonte é sinônimo de vinhos famosos de preços altos e para ambientes e culinária requintada.

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Conheça um pouco sobre a região de Barolo

Barolo é uma pequena cidade na região de Piemonte noroeste Itália e os vinhos Nebbiolos alí produzidos emprestam o seu nome.

A zona de Barolo abrange as comunas de Barolo, Castiglione Falletto, Serralunga d’Alba e partes das comunas de Cherasco, Diano d’Alba, Grinzane Cavour, La Morra, Monforte d’Alba, Novello, Roddi, Verduno, todos no província de Cuneo. As vinhas são plantadas em solos argilosos, principalmente calcário, as colinas com declives e orientações adequadas são considerados perfeitas para a produção de Barolo. O vinho é fabricado a partir de 100% Nebbiolo e normalmente tem o aroma de alcatrão e rosas. Os Barolos são conhecidos por sua capacidade de envelhecer na garrafa e, geralmente, assumir uma coloração laranja. Quando submetidos ao envelhecimento em barris de pelo menos cinco anos, o vinho pode ser chamado de Riserva.

No passado todos os Barolos eram muito tânicos e eles demoravam mais de 10 anos para atenuar sua adistringência, (aquela amarrada na boca tradicional do vinhos com taninos fortes). Para se adaptar ao sabor internacional, que apontava para vinhos frutados, novos estilos de Barolo surguiram, vinhos de preços mais acessíveis. Os “modernistas” reduziram o tempo de fermentação para um máximo de dez dias e colocaram o vinho novo em pequenas barricas francesas de carvalho. Os produtores tradicionalistas não queriam reconhecer estes vinhos como Barolo, afinal entravam no Mercado muito mais cedo. Os tradicionalistas defendiam um período muito mais longo de estágio em gigantescos barris de carvalho esloveno. As controvérsias entre tradicionalistas e modernistas foram chamadas de “Guerra do Barolo”.

Barolo é uma cidade reconhecida mundialmente pelo seu vinho, chamado de rei dos vinhos ou vinho dos reis. É um lugar muito cênico, a paisagem em torno da cidade é espetacular. Não há muito para conhecer e fazer em Barolo a não ser visitar as Aziendas Agrícolas e conhecer os mais espetaculares vinhos que a Itália pode produzir.

A Paixão pelo Barolo

Entre tantas regiões, uvas e produtores no mundo, os Barolos tem um lugar especial. Muitos questionam os altíssimos preços que os bons Barolos atingem no mercado e chegam a olhar com desdém sua produção. Outros, acostumados com vinhos jovens, madeirados e potentes, feitos aqui no Novo Mundo, não reconhecem nos Barolos o valor devido.

O fato é que alguns produtores dessa minúscula região do Piemonte alcançaram níveis de qualidade com características únicas. A Nebbiolo nas mãos de Roberto Voerzio, Aldo Coterno, Bruno Giacosa e Renato Ratti oferecem vinhos magníficos, com potencial de envelhecimento de décadas. Barolos entregam aromas de fumo, couro e carvalho tostado, com sabores de fruta trufada, framboesa e alguns com perfume de rosas. São vinhos raros e caros é verdade, mas foram feitos com enorme paixão por estes produtores e um cuidado na seleção, produção e envelhecimento apenas igualáveis aos melhores produtores franceses.

Agora mesmo, a fantástica safra de 1999 atingiu o seu ponto de consumo. Muito se fala das safras de 1999, 2000, 2004 e o sucesso do Piemonte deve continuar por tudo que se ouve e lê sobre as safras de 2005 e 2006. Eu ainda não bebi nada de 2005 e 2006. Se pudesse ainda assim não faria agora, mas sim daqui a 4 ou 5 anos.

Enfim, Barolos não são para qualquer dia, nem podem ser consumidos com avidez, algo para aguardar. Poderia comparar o consumo do Barolo com o milésimo gol do Pelé. Este deveria mesmo ser de pênalti, pois Pelé sabia que o gol chegou, Andrada sabia que iria tomar o milésimo, os repórteres puderam se organizar para as fotos e filmagens e o gol finalmente entrou para a história.

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