Toscana

Podemos dizer que a região vinícola da Toscana divide-se em duas grandes partes: A primeira na costa do mar Tirreno desde a região da cidade de Livorno, até a divisa com Lazio. A segunda área compreende as colinas entre as províncias de Florença e Siena.

 

Regiões da Toscana

As regiões produtoras são divididas em DOCs, com regras específicas de produção e quem não as segue deve usar a denominação IGT. A região da cidade de Lucca tem melhorado sua qualidade nos últimos anos, aqui a DOC principal é a Colline Lucchesi, que produz tintos com a Sangiovese, detaque para a Tenuta di Valgiana. Existe ainda a DOC
Montecarlo que produz um branco encompardo com a Trebbiano e cepas francesas vindas para a região em 1820.

Colline Pisane é a principal DOC da região de Pisa, produzindo tintos com a Sangiovese e a uva Ciliegiolo. Cabernet Sauvignon e Merlot se adaptaram bem a esta região.

Bolgheri é um distrito que se desenvolveu a partir da Tenuta San Guido, produtora do Sassicaia e hoje possui propriedades aristocráticas produzindo vinhos esplêndidos.  Aqui as cepas francesas encontraram excelentes condições de terroir, criando vinhos muito elegantes. Meus vinhos prediletos vem desta região. A DOC que Bolgheri é recente, aberta em 1983 e ironicamente foi aberta para vinhos brancos e rosés. Mas foram os tintos que ganharam expressão mundial. Praticamente toda a DOC é propriedade da família Antinori, que possui mais de 26 gerações no negócio do vinho. Esta é a região de Sassicaia, Solaia, Tignanello, Grattamacco e da jovem Ornellaia, empreendimento de Ludovico Antinori.  Prestem bem atenção nisso, todos esses vinhos estão entre os melhores da Itália e trazem respeito em qualquer restaurante do mundo. Este é o lugar dos vinhos alternantivos, dos vinhos que mudaram a cara da Itália, a terra natal dos Super Toscanos.

Maremma compreende as colinas costeiras da provîncia de Grosseto. As colinas mais distantes da costa foram chamadas de Califórnia Italiana. Esta região reuniu grandes nomes da vinicultura italiana e produz os chamados vinhos de Boutique, fantásticos. A exclusividade dos vinhos de Maremma faz com que sejam um objeto de desejo.

Castiglione della Pescaia, Maremma

Nas colinas Centrais entre Florença e Siena existem várias regiões produtoras. Carmignado é uma minúscula região a oeste de Florença, cerca de 20km. É uma das regiões vinícolas mais antigas da Itália. Existe registro de comércio de vinho na região em 1316. Por volta de 1500, Catarina de Médice, cuja família controlou Florença e boa parte da Toscana,  por centenas de anos, tornou-se rainha da França e sob essa influência a Cabernet Sauvignon foi introduzida na região de Carmignano. Em 1716 o Grão Duque Cosme III decretou a DOC Carmignano, uma das primeiras denominações de origem controlada da Europa. Desde essa época o blend era de Carbernet Sauvignon e Sangiovese, centenas de anos antes do surgimento dos Supertoscanos.

Em 1930 a DOC foi absorvida pela DOC Chianti Moltalbano e graças ao incansável trabalho de Ugo Contini Bonacossi a DOC Carmagnano foi recuperada em 1975. Em 1990 tornou-se D.O.C.G. O melhor produtor da região é a Tenuta di Capezzana e você pode ser um vilho deles aqui. Para você ter uma idéia do porte da cidade de Capezano, atualmente ela tem 12 mil habitantes, quase o mesmo de 100 anos atrás.

Chianti Classico: Chianti é o nome da região que abrange as colinas entre Florença e Siena. Chianti Classico é a DOC ícone dessa região, com foco nas cidades de Radda, Gaiole e Castellina. A Sangiovese  é usada com pequena proporção de Canaiolo. Chianti é a alma da Toscana, vinhos interessantes muito vivos, saborosos, com muita fruta, alguns com toque de framboesa. Eu acho que quem não gosta de Chianti, bom sujeito não é.

Chianti, a lenda do Galo Negro.

O livro Vinhos do Mundo de Sylvie Gyrard explica porque um galo negro simboliza o Chianti. Esta lenda também está muito bem contada nas páginas da Wikipédia em português. Faço aqui um resumo da história:

“Porque um galo Negro?” O nome Chianti surgiu no século XIII para designar esta região de colinas que começa ao sul de Florença e se estende até os limites da Úmbria. Tanto Florença, como Siena produziam vinhos Chiantis. Diz a lenda que Florentinios e Sienenses decidiram colocar um ponto final em sua rivalidade territorial através de uma inusitada disputa. Dois cavaleiros sairiam de Florença e de Siena ao “cantar do Galo” e o ponto de encontro iria definir o limite entre as duas cidades. O povo de Siena, escolheu um galo jovem e saudável para disputa e os Florentinos, optaram por um Galo Negro, magro e mal alimentado. Naturalmente o Galo Negro Florentinho, acordou mais cedo, pois tinha fome, o que ofereceu uma boa vantagem ao cavaleiro de Florença. O ponto de encontro foi estabelecido bem mais perto de Siena e como conseqüência Florença conquistou um grande território e o direito de usar a designação Chianti para produzir seus vinhos.

Galo Negro
Galo Negro

Em 1716 Cosmio III di Medice, Grand Duque da Toscana, definiu as primeiras regras para a produção do vinho na região. Atualmente o Consórcio Chianti Clássico criado em 1929 tem um Galo Negro como símbolo. Os diferentes sub-zonas do Chianti são: Clássico, Coli Aretini, Coli Fiorentini, Coli Senesi, Colline, Pisane, Montalbano, Montespertoli, Rùfina e Superiore.

Conheça os principais produtores de Chianti:

Para os amantes dos vinhos da Itália, sobretudo da Toscana, é absolutamente imprescindível conhecer os melhores produtores da região de Chianti Classico, que é o coração da área de Chianti, entre as cidades de Florença e Siena, Vou listar aqui os melhores produtores, com base em pesquisa realizada no livro “Chianti and Wines of Tuscany de Rosemary George, edição de 1990, publicado por Sotheby’s, Londres. Nem todos os vinhos você vai encontrar no Brasil, mas pode usar esta listinha em sua viagem para a Toscana. Selecionei apenas os vinhos que já provei e posso opinar.
Castello di Ama

O Castello di Ama fazia parte da linha de defesa Fiorentina na guerra entre Florença e Siena, mas foi destruído no século XV. O Castello di Ama Chianti Clássico é esplendido e você pode encontrar aqui no Brasil, eu recomendo a safra 2006.

Badia a Coltinuono

Já havia escrito sobre eles… Esta vinícula tem uma origem milenar pois era um mosteiro, fundado em 1051, foi propriedade da Vallumbrosan ordem dos monges beneditinos até 1810. No século XV, o “Buon Raccolto” ( “A boa colheita”) Abadia foi amplamente desenvolvida. Posteriormente, foi transformada em uma quinta-moradia, e que mantém a sua função agrícola desde então. O impressionante cedro do Líbano que fica ao lado do mosteiro é de 20 m de altura e tem um tronco com circunferência de 7 metros. A capela é uma das atrações apresentadas na Strada dei Castelli del Chianti. Vá direto para as safras 2006 e 2007.

Carpineto

Outra Fattoria que jea retratei aqui no NOSSO VINHO… Esta empresa foi fundada em 1967 na cidade de Greve in Chianti e é especializada em Chianti Clássico. Os fundadores são Giovanni Saccheti, um enólogo do Vêneto e Antonio Zaccheo. Certa vez Giovani chegou a declarar que a Toscana não precisava da Cabernet Sauvignon.

Luigi Cecchi & Figli

A família Cecchi possui pelo menos 5 empresas produtoras de Chianti, sua história é relativamente recente quando comparada a Antinori e Frescobaldi, começou no final do século XIX. Neste caso eu não vou recomendar um Chianti, mas um Sangiovese Rosso o Spargolo, feito com 100% Sangiovese, de videiras com mais de 40 anos, um vinho de alta densidade que vale a pena experimentar.

Felsina Berardenga

Visitei pessoalmente a Felsina, que tem este nome etrusco que provavelmente significa hospitalidade ou algo assim. Localizada na cidade de Castelnuovo de Berardenga, um lugar de paisagens idílicas. Se você for até lá poderá comprar vinhos com mais de 20 anos de guarda. O Chianti Berardenga é o vinho de entrada e o Fontalloro é o topo em qualidade, um IGT com estilo de Bordeaux.

Castello di Fonterutolli

A Família Mazzei detém esta propriedade desde 1435 e Fonterutolli está imensamente ligada a história de Chianti e à disputa entre Florença e Siena. Eles produzem dois Chiantis Clássicos, com pouca criatividade para nomes. O Primeiro vinho é o Castello di Fonterutolli e o segundo é o Fonterutolli. Eles ainda produzem outro vinho notável, o Siepi.

Fontodi

Fontodi fica em uma colina perto da cidade de Panzano. A propriedade originalmente era dos Lombardes e desde 1968 foi adquirida pela família Manetti. São eles que produzem o Flaccianello, um dos melhores supertoscanos que há.

Isole e Olena

Um dos melhores produtores da região, Paolo de Marchi é originário da cidade de Turin. A família comprou a propriedade na Toscana nos anos de 1950. O Chianti Classico é sensacional, mas o IGT Cepparello ultrapassa limites.

Montevertine

Montevertini fica nas colinas atrás da cidade de Radda e nasceu como um hobby de Sergio Manetti em 1966, com apenas 2 hectares. Hoje em dia é um produtor de renome e a propriedade é dirigido pelo enteado de Manetti, o alemão Klaus Reimitz. É de lá que nasce o exuberante IGT Le Pergole Torte.

Castello dei Rampolla

A propriedade existe desde o século XIV, mas a produção comercial foi iniciada por Alceo di Nápole em 1973. Eles tem uma propriedade de 34 hectares, metade situada na província de Florença e a outra metade na província de Siena, dividida pelo rio Pesa. Seus vinhos são muito aclamados pela crítica e por mim também. Destaco o Sammarco.

San Giusto a Rentennano

San Giusto a Rentennano é propriedade da família Martini di Cigala desde 1914. A propriedade tem 160 hectares, a 270 metros de altitude, onde se planta Oliveiras e Videiras, sempre utilizando metodos manuais e sistema orgânico. Entre vários rótulos, nosso destaque é o Percarlo, um super-torcano estupendo, feito com 100% Sangiovese, fermentado por 35 dias e envelhecido por 22 meses em barricas de carvalho francês.

 

Brunello di Montalcino

A Cynthia, amiga de muitos anos viajou para a Itália na Toscana durante as férias de julho. Ela e seu marido Márcio trouxeram um material muito interessante do Conzorcio del Vino Brunello di Montalcino, indicando as melhores safras dos Brunellos, a lista completa dos produtores do Consórcio e as normas para a produção do vinho, além é claro de 5 recomendações de Brunellos que eles provaram na Enoteca la Fortezza di Montalcino.

Enoteca la Fortezza di Montalcino.

As regras básicas para a produção de Brunellos.

1. Devem ser produzidos na região demarcada de Montalcino na Toscana.

2. Devem usar exclusivamente a uva Sangiovese Grosso, alí chamada de Brunello di Montalcino.

3. Devem envelhecer pelo tempo mínimo de 2 anos em barricas de carvalho e 4 meses na garrafa. No caso dos Riserva, desem ficar na garrafa por 6 meses.

4. Só podem ser engarrafados na região produtora.

5. Devem ser colocados a venda apenas a partir do dia 1 de janeiro do quinto ano após a colheita e no caso dos “reservas”, no sexto ano após a colheita.

6. Devem ser engarrafados em embalagens tipo Bordeaux.

Como são os Brunellos:

Vinhos sofisticanos com cor rubi clara. Aroma de Tabaco ou couro, meio corpo, presença clara de fruta, sobretudo framboesa, taninos ultrafinos e elegantes, com boa acidez, final longo e perfumado. Alguns fãs dos vinhos potentes, acham os Brunellos muito leves para custar tão caro.

As melhores safras dos Brunellos:

1945 / 1955 / 1961 / 1964 / 1970 / 1975 / 1985 / 1988 / 1990 / 1995 / 1997 / 2004 / 2006 / 2007. As Duas ultimas safras ainda não estão no mercado

Estácio, outro grande amigo que viajou também a região de Montalcino e nos traz suas histórias e informações do lugar”

Minha ida a Montalcino foi decidida de última hora quando estava passeando no mês passado pela Toscana. Devo muito a Paulo Queiroz por ter conhecido Montalcino, principalmente por ter me  despertado o interesse na cidade, pois até então o único Brunello de Montalcino que tinha experimentado foi um que ele me deu de aniversário (um Pian Delle Vigne). Montalcino respira vinho! Metade das casas são enotecas ou restaurantes, a outra metade é onde as pessoas que trabalham nas enotecas e nos restaurantes moram. Os preços dos vinhos na cidade são enlouquecedores, uma profusão de Brunellos de boa qualidade com preços entre €20 e €30, e nessa faixa dá para comprar bons rótulos como Barbi, Camigliano, Valdi Suga, Ventolaio, Ricci, e outros rótulos de produção pequena que sequer devem chegar ao Brasil. O que me impressionou também em Montalcino é a quantidade de produtores. Perto da fortaleza da cidade tinha uma placa em cobre mostrando a localização dos produtores da região, que somavam 161 produtores! As fotos: a primeira foto tirei do hotel mostrando umas vinhas na entrada da cidade, a segunda mostra a entrada sul da cidade com a fortaleza a esquerda da foto, e a terceira foto da cidade inteira. – Estácio

A história de Montalcino remonta a época dos etruscos.  Os primeiros documentos da cidade datam de 814 D.C..  A cidade traz o nome de uma espécie de carvalho que cobre a região.  Na idade media Montalcino era conhecida pela qualidade da produção de seus artigos de couro. As primeiras muralhas da cidade foram construídas no século XIII. Por centenas de anos a região sofreu um declínio econômico.  Somente agora a cidade se recupera através do turismo, atraindo amantes do vinho de todo o mundo.

Vino Nobile de Montepulciano

Produzidos na cidade de Montepulciano, para variar a base de Sangiovese, para alguns elitistas, o Vino Nobili de Montalcino é uma alternativa mais acessível aos Brunellos, mas na verdade essa é uma DOC bem interessante, com vinhos um tanto ásperos, vivos e vibrantes.

 

Apesar desta ser a única região produtora do mundo que conheço bem, muitas das infos desse post tiveram como fonte o Livro Vinhos do Mundo Todo, Guia Ilustrado Zahar.


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