O Mistério Daquela Moça. Por Rodrigo T. Concurso Cultural NOSSO VINHO.

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Inscrição no Concurso Literário NOSSO VINHO.

Por Rodrigo T.

Estava distraído e nem percebi as lâmpadas se acenderem. Bem, realmente não eram as lâmpadas a iluminar aquele velho bar no início da noite. Era a força da luz laranja do Sol, quando a tarde se despede, que atravessou pela porta no momento em que Ela entrou. Mas antes que virasse meu pescoço a buscar a entrada, atrás de mim, uma explosão de perfume me rendeu. Cheiro doce. As flores invadiram o pequeno salão e me senti em um jardim, frutas caídas ao chão, com as peles já enrugadas, como que secas pelo calor da primavera. E não pude tirar dela meus ansiosos olhos. Sua sensual marcha. Sua feminilidade. E claro, aquele batom vermelho rubi, que, de tão intenso, apagava a decoração. Sua boca enfim contrastava com seu vestido, de um rubro mais claro, e que deixava à mostra quase todo seu corpo, membros nus, era uma velada transparência. Sentou-se no balcão do bar e acendeu uma cigarrilha, sabor baunilha, cujo cheiro, um pouquinho defumado é verdade, veio-me devagar, bem fraco, quase ziquezagueando. Chamei o garçom: – “Quem?” – Perguntei, colocando uma nota amassada no bolso de sua camisa. Sussurrou que não sabia muito sobre Ela, mas que vinha de muito longe. – “Acho que atravessou o oceano”, me disse. Chegou há pouco tempo por essas bandas. Parece que vem de uma família conhecida, sobrenome famoso, de grande tradição. Mas dizem que, embora conserve a rígida educação, quer seguir por aqui seu próprio caminho. Confesso que fiquei intrigado com aquele mistério, seduzido. Não resisti, sentei-me ao seu lado, na bancada alta do bar. Ela estava olhando para lá, para a janela, parecia que esperava alguém, que já queria ir. Não percebeu minha presença. Cheguei um pouco mais perto, e fingi que me interessava pelo jornal que estava ao seu outro lado. Assim, cerrei os olhos e, com meu nariz quase tocando seus ombros, senti o cheiro de seus cabelos ondulados, ainda úmidos. Veio-me à mente uma geléia de morangos e framboesas. Esbocei uma pergunta, ameacei querer saber seu nome, mas era tarde: Ela parece que viu alguém lá fora, rapidamente se levantou e se foi, arisca. Todos ainda anestesiados no pequeno salão, não nos deu mais que um sopro de entusiasmo e deixou-me com um embriagante gosto de “querer mais”. O cheiro levemente adocicado de seu perfume ainda desfilou por um tempo no ar e então a seguiu. – “O que será que faz por aqui?” Perguntei ingenuamente ao vento que entrou pela porta, logo após sua saída… Simplesmente fascinante, essa jovem Pinot Noir nesse imenso Novo Mundo. Bem, não vejo a hora de experimentar um novo gole…

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