Como surgiu o Brinde

No seu livro Curiosidades sobre o Vinho, Pamela Vandike Price escreve um divertido conto de como surgiu o brinde. Vale a pena ler, bem como todo o livro que é muito interessante.

Uma vez no Monte Olimpo, houve problema entre os deuses. Os Sete Sentidos

Dionísio.
Dionísio.

haviam sido convidados a uma festa por Dionísio, o deus do vinho, mas mesmo as bebidas mais deliciosas que seu mordomo Baco servia com mão pródiga não deixavam todos satisfeitos. Os Sentidos, pelo menos seis deles, expressaram satisfação em poder contribuir para as sessões de vinho. A animação acendia os olhares e encorajava as pessoas a dançar. O Sentimento passou muito tempo sorvendo goles de vinho, inclinando a cabeça sabiamente e trocando opiniões com a Fala, que estava ocupada com um caderno – vai ver que eram uma dupla de escritores especializados em vinho. O sentido do Paladar estalava os lábio e mostrava expressões satisfeitas depois de engolir, olhando desdenhosamente para o sentido da Visão, que segurava um copo contra a luz do Sol, e o Olfato, que fazia ruídos como um leitão cheirando alguma fruta ou flor deliciosa. Todos os sentidos estavam ocupados, com exceção de um. Esse rabugento não estava bebendo e se dirigiu a Dionísio com atitude de quem vai reclamar de alguma coisa.

“Você sempre me deixa de fora, todo mundo aqui sempre obtém alguma coisa do

Bacco
Bacco

vinho, mas eu não. Como é que posso ouvi-lo?” Porque esse era o sentido da Audição.

“Claro que pode disse!” Disse Dionísio jovialmente. “Vá a uma vinícola quando o vinho estiver começando a ser feito; o gorgolejar, o chape, os sons das ondulações, tudo isso deverá lhe dar prazer”.

“Mas eu não posso simplesmente ficar lá”, objetou a Audição. “Vocês todos se divertem em torno da mesa. A menos que alguém quebre um copo ou caia bêbado, não há nada para mim aqui.” Dionísio se apoderou de um copo da bandeja de Baco e pediu para a Audição pegar outro.

“Agora ouça”, disse Dionísio, “Quando as pessoas se reunirem para beber vinho elas farão isso”, ele ergueu o copo batendo-o levemente contra o da Audição, de modo que os dois tilintaram agradavelmente. O Sentido da Audição saiu por aí batendo o seu copo contra todos os outros…

Não sei se a história contada por Pamela é uma lenda antiga ou se ela criou. De qualquer forma… Saúde.

2 Comentários
  1. Paulo Dancieri Diz

    Já ouvi esta versão. E outra: de que na era medieval, onde cada rei governava seu povo com os olhos na nação alheia, festas e jantares entre os reis eram comuns. Como cada um desconfiava da "amizade providencial do outro", e as canecas de bebidas eram de madeira – portanto, opacas-, e diante do medo constante de serem envenenados pela bedida do anfitrião, o rei-convidado passou a bater com sua caneca fortemente na caneca do anfitrião para que, neste ato, uma bebida se misturasse a outra. Assim, se o anfitrião bebesse seu líquido com a mistura do convidado, era sinal verde..Caso contrário…..rsss

    Abraços,,,

    Paulo

    1. Paulo Diz

      Historias maravilhosas sobre o vinho.
      Abraços Paulo

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