O Novo Mundo está mudando o Mundo do Vinho?

Como qualquer outra bebida o vinho tem diferentes frentes de opinião e gostos. Mas esta em especial é talvez a mais variada das bebidas. Um mínimo detalhe no clima, no solo, na casta, no plantio, na fermantação, no armazenamento e pronto, o vinho muda e cria uma personalidade própria. É esta variedade que torna o mundo do vinho tão interessante e que cria um mercado tão vibrante  por milênios.

Mas nos últimos anos, diria 20 anos, os críticos e as revistas especializadas tem criado a “imagem do vinho ideal”, ou do “vinho super pontuado” e com isso vêem sugerindo um novo modelo para o que se chama de vinho de classe mundial.

Sobretudo o chamado Novo Mundo, onde se destaca o Chile, Austrália, Nova Zelândia, mas também estão Argentina e nosso Brasil; tem se esforçado por criar vinhos que tem alguns componentes claros: Tintos, encorpados, varietais, muita madeira e uma busca pelas chamadas vinhas velhas que oferecem enorme concentração.

Mas esse tipo de vinho que faz tanto sucesso nos rankings e que ganha preço nos mercados está sendo imitado no velho mundo, recentemente até em Portugal e na França. O que é isso?

Eu também gosto deste tipo “classe mundial” mas nem sempre. Gosto de variar, de poder experimentar coisas diferentes e tão valorizadas quanto um Clos Apalta. O que diria de um esplendoroso Barolo, ácido, elegante, com madeira refinada e muito mais leve que os vinhos do Chile. E um Pinot Noir da Borgonha, digo um autêntico, leve, frutado e com muita framboesa. Mesmo alguns Grand Cru Classé de Bordeaux, com madeira leve, mas muitos toques de especiarias e um perfume esplendoroso. Poderia falar também dos maravilhosos vinhos de Siena, os Brunellos de Montalcino, tão criticados pelos escândalos do ano passado, mas que mesmo leves nos dão tanto prazer.

Finalmente ressalto os Chiantis, com o furor tânico da Sangiovese e os Super Toscanos de Bolgheri, que simulam os Bordeaux mas trazem aquele sotaque inigualável da Toscana.

Você tem notado que todos os POP STARS do momento estão ficando  iguais? O que acha disso? Opine.

2 Comentários
  1. carlos Diz

    Nice topic. Vamos la…..primeiro que tudo na vida segue ciclos. Eventualmente muita gente vai se cansar dos mesmos tipos de vinhos. Pode levar 15 anos ou mais……mas uma hora o cara descobre e/ou vai atras de coisas diferentes — claro, nem todos.

    Outro ponto, sempre vai haver consumidor para vinhos diferentes. Se isso sera financeiramente viavel para as vinicolas ou nao dependera da lei de oferta e procura. Espumantes no Brasil para mim he bolha. Nao ha espaco para todos. Muitos (pequenos) ficarao de fora da festa.

    Mais um ponto, o problema do clima. Esta cada vez mais dificil se fazer vinho acido, mesmo em altas altitudes. Pergunta isso la na Franca. Ok, podem adicionar acido citrico ou outro qualquer um dia, mas nao sera a mesma coisa.

    Resumindo….deixa a turma tomar os vinhos do novo mundo agora. Que tomem muito, mas pouco a pouco vao experimentar os outros tambem. Vinho doce, branco, rose, daqui, de acola……. Vinho he alegria, he alimento tambem.

    Tomara que as importadoras tragam mais produto com menos margem do Gerson (sei do que falo, sou importador), que o governo faca a parte dele abaixando os impostos (inclusive aos nacionais), que sao simplesmente excessivos, que os restaurantes e lojas colaborem para todos se beneficiarem dessa alegria que he o vinho.

    Nao ha como pertencer a qualquer civilizacao sem vinho.

  2. Paulo Diz

    Realmente os preços no Brasil são de chorar em comparação a Europa e Estados Unidos.

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