O que falta aos vinhos nacionais?

Mesmo para um leigo como eu fica fácil perceber que a vinicultura nacional evoluiu muito nos últimos anos. Investiu em qualidade, adotou processos de produção de padrão internacional, contratou mão de obra mais qualificada e com tudo isso vem melhorando seu produto final.

Mas o que falta então para que os vinhos brasileiros ganhem um pouco mais de reconhecimento interno e externo? Falta marketing? Ainda falta qualidade? Falta uma estratégia de vendas e preço?

Opine aqui. Quem sabe a solução não aparece.

21 Comentários
  1. Dani Sosigan Diz

    Paulao.. Particularmente acho que falta um pouco mais de tempo… Estamos caminhando …. Vc mesmo diz, os processos adotados vem melhorando o produto final.. Fato eh.. Ainda não chegou lah… Claro que acrescentar um pouco de glamour fará bem, mas com um produto final melhor..

  2. Alexandre Queir&oacu Diz

    Paulo,

    A vinicultura nacional vem evoluindo a cada ano mas na minha opinião ainda falta um bom caminho para chegar lá. Com o tempo a qualidade tende a melhorar, mas além da qualidade que é fundamental, falta preço principalmente.
    Hoje não compro um vinho nacional ao preço de um argentino ou chileno de qualidade superior.

    Alexandre.

  3. plow king Diz

    Falando somente dos tintos: temos problema de terroir, de CONSTANCIA climatica de safras, e de gente capacitada para fazer de um grande caldo um grande vinho. Nao ha otimos enologos para todos na festa. Nao insistam no contrario disso.

    Espumantes e brancos: Aqui o clima ja ajuda mais. Tanto no RGS quanto em SC ha possibilidade de se fazer vinhos mais elaborados, melhores, mais propicios ao clima da regiao e ao clima que reina no pais.

    Tintos: Graves problemas de preco. Varios nacionais alcanzam mais que R$ 100.00 uma garrafa. WTF man?

    Espumantes: Alguns ja estao surfando na fama de algumas medalhas obtidas por ai e estao precificando os vinhos a niveis bem acima do justo. Duvido que o indice de recompra desses vinhos seja alto. Quem quiser provar o contrario, por favor, nos ensine a verdade…..mesmo.

    E tenho dito. Bem propicio o topico. Valeu.

  4. João Filipe C Diz

    Nas minhas provas ás cegas tem ficado claro que a qualidade melhorou e muito. Merlots nacionais, genéricamente falando, são melhores que os chilenos e argentinos e alguns cortes também se sobressaem e preço por preço, contrariando o Alexandre, opto pelo brasileiro que ainda é mais elegante e de teor de álcool mais civilizado. Existem produtores gananciosos e existem aqueles que mesmo com um custo Brasil altissímo e impostos nas alturas, conseguem colocar no mercado rótulos de boa qualidade com preço justo. O grande problema, que é no qual bato com constância, é a falta de estrutura mercadológica e de distribuição. Falta profissionalização nesse segmento de atividade. Do que adianta um produto ser bom, ter bom preço, ter divulgação na midia se não encontramos onde comprar?!

  5. peter Diz

    Paulo.

    Acompanho o crescimento da viticultura, no Brasil, há pelo menos duas décadas.

    Lá pelos idos de 1970 chegaram ao Brasil as multinacionais, Chabdon, Martini e Rossi e depois a Almadén, na fronteira com o Uruguai, mais precisamente no Cerro Palomas. O que importa, na verdade, é que estas empresas vieram para cá explorar a produção de espumantes e não de vinhos brancos ou tintos, apesar de haver produção destes vinhos em escala maior, mas sem qualquer padrão de qualidade. Elas sabiam há mais de trinta naos o real potencial da serra gaúcha e hoje catarinense, ESPUMANTES, hoje algumas de reputação internacional.

    O Brasil sempre primou pela produção de espumantes, desde as priscas eras. Esta é a nossa vocação. Com a chegada das multinacionais vieram, também, os enólogos de fora como por exemplo Adolfo Lona, na Martini e Rossi e que hoje tem sua produção própria de espumantes. Também Mário Geisse, pela Chandon. E usaram e abusaram da casta Rriesilng itálica de grande produção na serra gaúcha e que deixa o espumante com frescor e acidez, as vezes pronunciada demais.

    Também é verdade que já houve, no final dos anos 80 e início dos anos 90, excelentes vinhos tintos, quem não lembra da excepcional safra de 1999 e o Baron de Lantier, muito bom. A própria Miolo e a Valduga que conheci nesta época produziam, quase que de garagem, ótimos Merlot e Sauvignon Blanc, mas de produção liliputiana.

    Bem, aí entrou a globalização e com ela a padronização dos vinhos, fato que afeta até os argentinos e os chilenos, que dentro de uma certa faixa de preço é uma geleia geral. O filme Mondovino muito bem retrata esta situação, inclusive satanizando ícones da vitulcura mundial como Robert Parker e Michael Rolland. Mas a questão é uma só ou segue o caminho da quantidade ou segue o caminho da qualidade. Infelizmente a esmagadora maioria dos produtores nacionais, com honrosas exceções e a preços altíssimos mantêm a produção baixa com qualidade, entre eles (Dal Pizzol, Pizzato (tem um rose muito interessante), Don Laurindo, mario Geisse (enólogo da casa silva) a Don Giovanni, antiga proprietária da marca Conhaques Dreyer, vale a visita ao site e ver a pousada, ao melhor estilo Toscano.

    Portanto, entendo que antes de preço, impostos, markenting, etc e tal, eu se fosse proprietário de uma destas vinícolas, faria só espumante, cujos melhores tem reconhecimento mundial, como por exemplo, Don Giovanni, Dal Pizzol rótulo preto, que inclusive tem em sua composição a Sylvanner, casta alsaciana, mas que por aqui não deu muito resultado, Estrelas do Brasil (todas) e a Luis Argenta, principalmente a Brut clássica, muito boa.

    Alguns brancos razoáveis, principalmente o Núbio Sauvignon Blanc da Sanjo,serra catarinense, vale conferir, possui um final amendoado muito interessante e o Núbio rose que reputo o melhor do Brasil, na minha modestíssima opinião.

    Assim penso que o problema é que estas vinicolas tentam desenvolver vinhos que a região não consegue produzir como tintos mais encorpados e alcoólicos bem ao gosto moderno. Repito a concorrência é desleal.

    Aí vai uma pergunta, até quando viveremos a ditadura dos vinhos concentrados e alcoólicos aos melhor estilo Robert Parker/Michael Rolland?

    Até quando estas vinícolas nacionais insistirão em produzir vinhos cujas castas não se adaptaram as terras brasileiras?

  6. Villenave Diz

    Terroir.. simples assim!
    Acho que em vez de buscar "imitar" vinhos de outros paises , devemos buscar uma identidade propria e ressaltar uma tipicidade !

  7. Didu Russo Diz

    Paulo amigo, súde.

    "Secondo Me" falta muita coisa ao vinho brasileiro:

    1) Priorizar espumantes.
    2) Nos tintos procurar o frescor e a fruta e esquecer o vinho chileno e argentino com excesso de madeira.
    3) Falta um projeto de conversão de vinhedos de castas americanas em vitis-viníferas.
    4) Falta um projeto de financiamento a longo prazo para que pequenos viticultores sejam vinificadores e engarrafadores também.
    5) Falta união
    6) Falta lutar junto ao governo para que o vinho seja considerado complemento alimentar
    7) Falta um projeto de distribuição cooperado para pequenos produtores.
    8) Falta aprender a precificar o vinho corretamente e não por comparação do que há no mercado.
    9) Falta entender que vinho barato importado não é concorrente, é um parceiro que traz novos consumidores.
    10) Falta entender que concorrente do vinho é a cerveja que cresceu e muito no segmento gourmet, justamente o mercado do vinho.
    11) Falta comunicação associativa vendendo os benefícios do consumo do vinho.
    12) Falta entender que bonificar garrafas aos restaurantes não constrói marca, apenas engorda o bolso guloso dos donos dos restaurantes.
    13) Falta entender que sem criar marca não se ganha mercado e é preciso comunicar.
    14) Falta destinar verba de comunicação adequada para a construção de marca.
    15) Falta maturidade por parte do consumidor que não entende nada e bebe rótulo e fica preocupado com o gosto dos críticos e não no dele próprio que é quem paga e bebe o vinho.
    16) Falta o brasileiro começar a querer conhecer o que temos de bom. Temos ótimos vinhos que degustados às cegas surpreendem quem conhece vinho. Infeliamente muitos desses vinhos não chegam a SP

    Diante de tanta coisa que falta, vale um elogio à campanha do Ibravin pelo vinho brasileiro.

    bacio,

    Didú

  8. Paulo Diz

    Muitas opiniões… Vamos lá coloque a sua.
    Obrigado a todos

    Ah, e quero acusar que eu compro vinho pelo rótulo sim, levo em conta a opinião dos críticos sim e não tenho o menor problema em admitir isso. Afinal se estão falando bem de um vinho, como posso saber se é verdade se não beber?
    Outra: não acho que vinho caro significa vinho bom, mas via de regra, vinho bom mesmo não deveria ser baratinho. Afinal, nada que é muito bom deve ser baratinho.

  9. Marcelo Frazao Diz

    Paulo,

    Creio q eh mais uma questao de posicionamento.

    Adotar uma bandeira, uma causa.

    Seja uma casta como fez a Argentina com o Malbec, a Africa do Sul como a Pinotage…

    Ou adotar o espumante como carro chefe, associar o espirito brasileiro ao carater comemorativo q os espumantes sugerem…

    Ou vinhos para o verao: como o proprio espumante, roses (tomei outro dia um catarinense realmente mto bom)…

    Falta uma bandeira proprietaria.

    Abs

  10. Paulo Dancieri Diz

    Com tantos entendidos em vinho nacional, é com certo receio que expresso que ainda não tive a oportunidade de tomar um vinho TINTO brasileiro que esteja a altura dos BONS franceses, italianos, chilenos… Já provei alguns, honestos (Dezem, Lidio Carraro, Talento), porém nenhum que me tirasse o fôlego ou ao menos me instigasse a continuar bebendo os nacionais.
    Assim, seria muito bom se os amigos que afirmam que os tintos nacionais possuem qualidade compartilhassem conosco uma relação dos melhores nacionais, pois eu, particularmente, farei questão de prová-los todos, e a partir dai, poder dar uma opinião mais coerente.
    Ficaria imensamente agradecido.

    Um grande abraço,

    Paulo

    1. peter Diz

      Paulo Dancieri.

      Em relação aos tintos concordo em gênero, grau e número, mas em relação aos espumantes posso passar uma série de 5 maravilhosos espumantes que nada devem ao exterior, principalmente aos andinos, que a fora o espumante da Serrera, a média é sofrível.

      1. Paulo Diz

        Peter, então passa para a gente divulgar aqui no Blog.
        Abraços

    2. Fábio Melo Diz

      LIDIO CARRARO GRANDE VINDIMA TANNAT 2006. UM DOS MELHORES VINHOS DO MUNDO

  11. Carlos Henrique Diz

    Caros,

    Só para temperar um pouco a discussão,gostaria de sugerir duas casas brasileiras que tem,principalmente nos brancos,produtos bem interessantes.
    A Vallontano e a Viapiana são duas vinículas de pequena produção mas que vale um teste.
    Outra sugestão é um Rosé da Valduga chamado "AMANTE", muito elegante lembrando os rosés da Provence e tem a garrafa com um design moderno e diferenciado.

  12. Paulo Diz

    Denys, obrigado pelas palavras de incentivo e pela participação.
    Abraços

  13. Manuk Diz

    Dois tintos brasileiros que me impressionaram: Storia Merlot 2005 ( Casa Valduga )
    Luiz Argenta reserva 2005
    degustados no evento copa das confederacoes nosso vinho

  14. Paulo Diz

    Este post acabou pr ser uma tese Wiki sobre a vinicultura brasileira. Obrigado a todos
    Abraços

  15. Jennifer Vieira Diz

    Falta o brasileiro valorizar a nossa produção, reconheçer que o segmento se organizou o forte investimento no mercado trouxe maior tecnologia para o mercado e sendo assim uma produção de nivel e qualidade internacional.
    Falta ações de mkt para promover a bebida, investir naqueles que não possuem conhecimento impirico e introduzir a cultura d consumo nos menos privilegiados de informações
    FALTA INFORMAÇÃO PARA A POPULAÇÃO, FALTA INFORMAÇÃO PARA O PDV, o consumirdor chega na adega e fica desorientado com a enorme variedade.
    Falta eliminar a elitização da bebida, muito protocolo para poder consumir não vai fazer dos não-consumidores um aliado.
    Falta ajuda do governo, pois produção de vinho não faz parte de nenhuma campanha politica, os investimentos em sua maioria são feitos por iniciativa privada.
    Falta eliminar o ENOCHATOe criar o maior numero de ENOLEGAL.
    Falta muito, mais não adianta, essa decada é nossa, o mundo esta com os olhos voltados para nós, e muitos de nós nos voltamos para eles sem perceber o nossa qualidade.

    1. Jennifer Vieira Diz

      Paulo,

      Vi essa reportagem e achei divina, acredito que muitas surpresas e boas noticias viram para nós, conheçi o mundo maravilhoso ha pouco tempo, fiquei tão encantada que inclusive adotei o tema para meu TCC, "Como as ações de marketing podem aumentar o consumo de vinhos nacionais entre jovens e adultos de 25 a 50 anos", confeso que estou aprendendo muito e estou muito orgulhosa do que tenho visto em minhas pesquisas.

      1. Paulo Queiroz Diz

        🙂

  16. Cristiano Diz

    Paulo,

    Muitos apontaram diversos pontos a fortalecer, que concordo e é trabalho para anos… mas temos vinhos nacionais em preços estratosféricos… isso me incomoda muito.

    Portanto chego a conclusão que, na minha modesta opinião, falta humildade ao produtor nacional. Ele ainda está melhorando, mas já entende que faz o supra sumo do vinho mundial. Tá errado…

    Forte Abraço!

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