O vinho da Pellada com Niepoort – Doda 2005.

Folheando o catálofo da Mistral deste outono encontro alguns vinhos que merecem um post. Ao longo desta semana vou destacar alguns.

O primeiro é o Doda 2005 um vinho da Quinta da Pellada/Niepoort. Sim é um trabalho conjunto de dois renomados enólogos de Portugal que combinaram as características do Dão e do Douro, (antigamente chamado Dado). Então, segundo o catálogo da Mistral, o nome Doda é a junção das primeiras silabas das duas regiões. Um vinho de baixa produção e muito aclamado em Portugal. Para nosso desespero, o produto está sendo comercializado em Portugal por 29 Euros e aqui no Brasil por USD 139.50.

Vejam que delícia o texto que extraí da loja virtual winept.com:

Começou por ser Dado e agora é Doda, não por capricho ou extravagância dos progenitores, apesar da singularidade assumida pelos dois, mas por inevitabilidade, por necessidade legal. Já lá vamos! Comecemos pelo apelido de berço, pelo título académico original que resulta da contracção dos nomes Dão e Douro, as duas regiões que emprestam uvas para este vinho de mesa. Vinho de mesa sim, porque, de acordo com a legislação comunitária, a mescla de uvas de duas denominações de origem implica uma despromoção automática para a classe mais comezinha possível, o vinho de mesa. Classificação que impede a indicação de informações tão elementares e essenciais como o nome das castas ou, ainda pior, da data de colheita. Por isso, numa tentativa expedita de contornar as regras burocráticas, convencionou-se chamar à primeira edição do Dado o primeiro Dado, à segunda edição segundo Dado, sabendo que o primeiro a tomar vida foi o Dado de 2000. Só que, e é aqui que entra a mudança de nome, aparentemente o título Dado já tinha registo anterior, registo que foi agora reclamado por quem de direito. Face à necessidade da metamorfose, alterou-se o género, passando de Dado a Doda, nome que, de novo, resulta da contracção dos nomes Douro e Dão…. Douro e Dão porque os seus autores, Dirk Niepoort e Álvaro Castro, os dois “enfant terrible” de Portugal, sempre acreditaram na complementaridade da relação. Sempre confiaram que a comunhão entre a generosidade, a fruta e o corpo do Douro poderiam ser bem temperados pela sobriedade, acidez e frescura do Dão. Que o vigor do Douro poderia ser bem condimentado e revigorado pela delicadeza do Dão. E é precisamente isso que este Doda nos oferece, um vinho poderoso mas contido, musculado mas delicado. Um Doda que começa avassalador na potência e termina macio e aveludado, sedutor e melodioso. E para mais, é um vinho de mesa que sabe envelhecer…

Ficha técnica do Produtor:

O vinho do Douro foi vinificado em estilo tradicional pisado a pé com maceração pré-fermentativa, após fermentação de 8 dias o vinho estagiou durante 20 meses em barricas de carvalho francês onde realizou a fermentação maloláctica. O Dão provem de vinhas velhas da Quinta de Saes e da Quinta da Pellada. Sendo cerca de metade cepas velhas de Touriga Nacional e as restantes uma mistura de castas tradicionais. O vinho Dão foi vinificado em lagares tendo feito a maloláctica em cascos de carvalho Allier ff, nos quais estagiou 24 meses.

Possui um aroma muito complexo com notas florais e de frutos vermelhos típicos da Touriga Nacional, com especiarias e mineral. Na boca é envolvente com uma acidez viva, taninos presentes mas suaves, fruta muito fina e uma estrutura impressionante, termina longo e persistente. Um vinho de grande longevidade.

Feito com Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Tinto Cão.

Qualquer hora faço uma besteira e gasto estes 140 USD só para conferir. A foto do topo é do Rio Douro e da cidade do Porto.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.