Qual a diferença entre as uvas do vinho e as que comemos?

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Uma espécie caprichosa conhecida como Vitis vinifera, produz uvas que são especificamente cultivadas para a produção de vinho. As uvas para vinho, ao contrario das uvas que comemos, tendem a ser menores, tem a pele mais grossa e contem sementes. Também existem outras espécies, principalmente para comer. Quase ¾ de todas as uvas produzidas no planeta são para o propósito específico de fabricar vinho. A Vitis vinifera é mãe e pai de quase mil variedades diferentes. Embora cada variedade tenha a sua própria personalidade, algumas características base são comum a todas: Uma uva madura consiste de aproximadamente 85% de água, 13% de açúcar, com os restantes 2% de pele e sementes. As uvas são uma espécie exigente, para quem o sol o calor, a água, a terra e o local tem um papel fundamental.

As uvas adoram sol, calor, umidade, mas nenhum destes em excesso. A uva ideal seria produzida em dias longos e mornos, com noites frescas e alguma chuva. A Vitis vinífera adora terra ruim, como barro, calcária, cinza, ardósia, cascalho, xisto e granito. Parece um paradoxo mas as uvas vão prosperar mesmo em um solo muito pobre em nutrientes. Os melhores vinhos do mundo vem de solos podres, áridos e muito pouco generosos. Parece mesmo que as uvas gostam de trabalhar duro para sobreviver, quanto mais difícil o terreno, melhor elas ficarão.

Outro ponto é que as uvas prosperam mais em declives, pois esse tipo de terreno propicia uma perfeita drenagem do solo e desta forma as uvas nunca receberão água demais. Outro ponto é que declives recebem geralmente um maior impacto de luz solar. Portanto, declives em altitude garantem as uvas muito sol, com pouca água no solo e temperaturas mais amenas. Informações do livro de Matt Skinner, “Sem Segredos” Larousse.

 

Cabernet Sauvignon

Esta é a rainha das uvas tintas, os melhores exemplares da uvas são exuberantes em sabor, elegância e capacidade para envelhecer. Se adapta a muitas regiões do planeta, mas gosta mais dos climas quentes. Ela é nativa de Bordeaux, mas encontra grande qualidade na Itália, Espanha, Chile, Argentina, África do Sul, Austrália e Califórnia. Como é produzida em todo o mundo o Cabernet Sauvignon assume muitos sabores e aromas, mas podemos encontrar coisas como cereja, hortelã. Couro, eucalipto e ameixa. Com casca muito grossa, oferece grande acidez e longa vida.

 

Cabernet Franc

Esta é a velha companheira e mais antiga que a Cabernet Sauvignon, hoje mais utilizada em misturas, Originária de Bordeaux, pode ser encontrada no Loire, na África do Sul e na Austrália. Aromática e talvez mais complexa que a Cabernet Sauvignon, produz vinhos deliciosos e minerais.

 

Grenache

Cultivada na Espanha, França e Austrália, é amplamente utilizada como composição de blends e como varietal. Produz vinhos pesados e concentrados, também é amplamente utilizada em vinhos roses. Oferece sabores de framboesa e ameixa, com odores de pimenta do reino. Baixa acidez e taninos macios.

 

Malbec

A uva encontrou seu melhor nas altas altitudes da Argentina. Por conta disso possui um longo amadurecimento com muita acidez. O vinho feito com Malbec é super tinto, com sabores de ameixa madura, especiarias e grande intensidade.

 

Merlot

Por muitos anos Merlot foi apenas uma uva para a composição de misturas com Cabernet Sauvignon para acrescentar um pouco mais de peso e intensidade. Merlot é a uva tinta mais plantada em Bordeaux. Mais recentemente os mercados do Reino Unido, Austrália e Califórnia estão consumindo muito esta uva. Cheia de sabor, Merlot tem sabor de fruta madura e no Novo Mundo são mais redondos com toques de ameixa e baixo tanino natural.

 

Carmenére

Original da região de Medoc em Bordeaux, esta usa foi dada como extinta na Europa na praga de filoxera no século XIX. Quando produtores Chilenos solicitaram um teste de DNA em 1994 para sua produção de Merlot, perceberam que tratava-se de Carmenére. Uma uva difícil de cultivar. Possui uma cor vermelha lilás e sabores de amora, couro e especiarias. Alguns peritos ainda confundem Carmenere com Merlot.

 

Gamay

Virou um pop star com o Beaujolais Nouveau, quando em novembro milhares de pessoas vão para a cidade Medieval de Beuajolais para o festival do seu lançamento. Pode produzir também vinhos maduros, suculentos e que não são muito pesados. Oferece vinhos com baixa acidez natural e baixo teor alcoólico, com sabores de framboesa.

 

Mourvèdre.

Vibrante e um tanto Rústica a Mourvèdre é originária do Vale do Rhone na França, onde é usada como componente na mistura com Grenache e Syrah. Na Espanha é conhecida como Monastrell e Mataro. Possui aromas de tabaco e ameixa. A idade da videira tem um impacto enorme na qualidade do vinho que produz.

Syrah

A Syrah vem do velho mundo onde é mais elegante, produz vinhos de meio corpo e mais delicados. No Novo Mundo possui um alter-ego chamado de Shiraz, que é extravagantre em sabor de fruta, carvalho e densidade. Os sabores variam de groselha, ameixa e framboesa, quase sempre com toques de pimenta e especiarias.

 

Tempranillo

Também é conhecida como Tinta Roriz e Aragonês. Oriunda da Espanha, onde hoje promove uma verdadeira revolução na produção de vinhos de classe mundial. Possui um sabor forte de frutas com aromas de terra, especiarias e tabaco. Esta é a minha segunda uva preferida, pelo mesmo motivo que prefiro a Sangiovese, sua rusticidade.

 

Sangiovese

Aqui dou uma parada para declarar que essa uva é de longe a minha favorita. Aliás eu acho que vinho é sinônimo de Sangiovese. Oriunda da Toscana, está também sendo cultivada nos Estados Unidos e Austrália, sem muito sucesso. Possui aromas de cereja, ameixa e frutas silvestres.  Com um estilo Rústico (que eu adoro), também apresenta aromas de terra, tabaco e especiarias. Possui taninos super-secantes, o que credencia a uva para ser consumida com comidas gordurosas.

 

Barbera

É a segunda uva do Piemonte, menos Rústica que a Nebbiolo e com mais sabores de cereja. Sua acidez é mais leve, bem como seus taninos. Quero ainda mencionar que Barbera oferece vinhos de excelente custo benefício. Sobretudo os vinhos produzidos em Alba.

 

Carignan

Originária da França, esta uva aprecia o Sol e consegue melhores resultados na região do Languedoc-Roussillon no sudoeste da França. Produz em vinho encorpado e rústico, altamente ácida e difícil de amadurecer.

 

Nebbiolo

Nebbiolo produz vinhos fantásticos, mas também produz vinhos muito sem graça. A origem dessa uva é o Piemonte no noroeste da Itália. Os melhores vinhos possuem uva concentrada, taninos poderosos, super secos. Os melhores Nebbiolos exalam toques de alcatrão, rosas, cereja, azeitona preta e alecrim. Uma das mais aromáticas uvas que conheço. Os grandes Barolos (que utilizam a uva Nebbiolo), deixam um aroma de tabaco no final da taça. Eu não poderia deixar de fazer uma homenagm a minha uva preferida, juntamente com a Sangiovese a Nebbiolo oferece os vinhos para o meu gosto, taninos super fortes, super secos e uma vivacidade única.

 

 

Negroamaro

Uma uva originária do sul da Itália, traz aromas de alcatrão, cereja, especiarias e terra. Pode ser encontrada na Austrália e Estados Unidos.

 

Pinotage

Seu lar é a África do Sul e é um cruzamento entre a Pinot Noir e a Cinsault. Uma uva que produz vinhos com aromas de fruta madura, encorpado e próprio para carne.

 

Primitivo / Zinfandel

Primitivo na Puglia e Zinfandel na Califórnia as uvas são geneticamente idênticas. Possui um aroma adocicado de frutas, de couro e violetas. O Primitivo é muito mais contido que seu irmão Americano. Por muitos anos pensava-se que eram uvas diferentes, mas foram os testes de DNA que revelaram essa similaridade genética. Como são realmente diferentes na intensidade, fica claro que o Terroir faz a diferença.

 

Pinot Neunier

Essa uva adicionada a mistura de Chardonnay e Pinot Noir dá o toque especial à Champagne.

 

Touriga Nacional

Mais uma nota deste autor: Eu adoro os vinhos feitos com essa uva! É a base da vinicultira portuguesa, inclusive para os vinhos fortificados do Douro. Exatamente como o Cauvignon, chama uma uva parceira para ser suavizada. Profunda cor, quase uma tinta, a Touriga Nacional, que também é chamada de Tempranilo e Aragonês produz vinhos intensos e marcantes, com muita fruta.

 

Pinot Noir

O cultivo, o terreno e o clima influenciam muito essa uva que é considerada a mais leve das uvas tintas. Cotes de Nuits na Borgonha é a sua origem e onde o seu preço pode ser exorbitante. A uva também é usada para fazer Champagne, quando misturada a Chardonnay e Pinot Meunier. É raro encontrar um bom Pinot Noir fora da França, mas Chile e Nova Zelândia estão melhorando.  Seus sabores são de morango, framboesa e cereja, com odores de especiarias, trufas, cedro e terra.

 

 

Chardonay

A rainha das uvas brancas encontra o seu potencial máximo na Borgonha, onde alguns vinhos artesanais podem envelhecer por muitos anos. Por serem vinhas que aderem suas raízes em qualquer lugar, atingem diferentes aromas e sabores dependendo do terreno e tipo de solo. No hemisfério norte o sabor varia de cítrico a levemente doce. No calor do hemisfério sul traz aromas suaves de frutas tropicais, como pêssego, pêra e abacaxi.

 

Chenin Blanc

Seu território natural é o Vale do Loire na França, onde produz vinhos adocicados, ultra-secos e espumantes deliciosos. Seus sabores variam de maça verde, pêra e ervas frescas. A Chenin Blanc tem sabor melhor em sua maturidade.

Bons exemplos de Chenin Blanc:

Domaine Huet Vouvray Le Haut Lieu Demi Sec

Beaumont Wines Hope Marguerite Walker Bay

Graham Beck Wines Chenin Blanc Gamekeeper’s Reserve Coastal Region

Foto de castelo no Vale do Loire, França: Terra natal da Chenin Blanc

 

Gewurztraminer

O maior defeito dessa uva é esse nome super difícil de pronunciar, bem pior que Chardonnay. Original da Alsácia, uma região minúscula no nordeste da França. Atualmente a Áustria, Nova Zelândia e Chile também produzem esta uva. Seu aroma é exótico, de rosa, flor de laranjeira, canela, gengibre, flores e especiarias. Possuem baixa acidez natural e um sabor prolongado.

 

Moscatel

Essa uva pode elaborar uma série de tipos de vinhos, como o Moscato D’Asti do noroeste da Itália, o doce Muscat Beaumes de Venise no vale do Rhone, os vinhos marcantes e aromáticos de Málaga na Espanha, o Moscatel super doce de Jerez, entre outros.

 

Pinot Gris e Pinot Grigio

As duas uvas acima são geneticamente idênticas, nas apresentam características diferentes. A Primeira é cultivada na França na região da Alsácia e a segunda no nordeste da Itália. A Nova Zelândia tem tido sucesso com a Pinot Gris. A Piniot Grigio Italiana é leve delicada e fresca, ela é produzida em tonéis de inox.  A Pinot Gris Francesa é mais densa e rica, devido ao tempo em contato com a madeira na vinificação.

 

Riesling

A origem da uva é a Alemanha, mas podem ser encontrados bons vinhos feitos com Riesling nos Estados Unidos, Áustria, França, Nova Zelândia e Austrália. Uma uva com aromas de frutas cítricas e flores.

 

Sauvignon Blanc

Junto com Sémillon a Sauvignon Blanc tem uma papel importante na produção de vinhos doces de Sauternes em Bordeaux. Em Maconnais, a Sauvignon Blanc é utilizada na produção de vinhos ásperos e mineralizados em Pouilly-Fumé.

 

Semillion

Sua origem é francesa de Bordeaux, mas existem plantações de Semillion no Hunter Valley na Austrália, na África do Sul, Europa oriental e Grécia. Quando jovens, já são densos de sabor de pêssego e pêra. Nos vinhedos mais antigos pode se encontrar intenso aroma cítrico na uva, alem de torrada com mel, nozes e especiarias adocicadas.

 

Viognier

Nativa das escarpas de Condrieu, no Vale do Rhone, esta uva garante vinhos com alto grau de álcool, 15 graus. Tem sido encontrada na Austrália e África do Sul. A uva tem aroma característico de abricós, casca de laranja e flores. Na boca é pesada e rica e em alguns casos oleosa. Tem sabor prolongado e baixa acidez natural. A foto do topo é de uma videira de Viognier.

 

Cortese

Oriunda do Nordeste da Itália, oferece aromas de amêndoa, pêra, e flores. Seu sabor é delicado e de fresca acidez. Uma uva simples que combina com vários tipos de comida.

 

Garganega

Proveniente da região de Soave, (Veneto) na Itália, construiu sua reputação em enormes garrafas de vinho que mais pareciam água. Atualmente os produtores de Soave tem conquistado melhores níveis de qualidade.

Gruner Veltliner

Uma variedade natural da Áustria, seu sabor pode ser comparado ao Chardonnay, mas é uma uva mais picante.

 

Marsanne

Uma uva do Vale do Rhone, que oferece vinhos límpidos e frescos, compõe uma série vinhos brancos do Vale do Rhone. Seu sabor lembra pêssego com um toque de carvalho. Com a idade deixa o vinho um pouco mais adocicado, pesado e até oleoso.

 

Pedro Ximénez.

Essa uva espalhola produz vinhos muito doces, intensos e densos. Os melhores exemplares de PX são quase pretos, viscosos e com um aroma intenso de especiarias.

 

Pinot Blanc

É amplamente cultivada em muitas partes da Europa, principalmente na Alsácia, além de áreas esparsas da Alemanha, Itália e Estados Unidos. Tem um sabor muito leve, quase neutro de maças e peras, mineral, com um toque de mel. Produz vinhos muito fáceis de beber.

 

Roussanne

Juntamente com a Marsanne, domina o sul da França na região do Rhone. Também encontrada nos EUA, Itália e Asutrália. Produz vinhos encorpados, ricos de sabores de chocolate branco, frutas do campo como pêssego e especiarias.

 

Verdelho

Bons exemplares dessa uva vem da Espanha e Austália e podem ser secas ou doces. Também são encontradas na ilha da Madeira como combinação de uvas que compõe os vinhos fortificados. Produz um vinho de cor muito pálida, cheira a maracujá. Pode ser confundida com Sauvignon Blanc quando usada como varietal.

 

Verdicchio

Produzido no Marche, região central da Itália em baixíssimo volume. Faz vinhos ricos com muito aroma de limão e sabor cítrico, com fartura de especiarias. Um vinho que pode muito bem ser envelhecido em madeira.

Fonte: livro de Matt Skinner: SEM SEGREDOS,

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